OS FERROVIARIOS / Cristiano Fonseca Jr. Eng Bruscky e família -1968
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 Filha, bineta, bisneta...

Cristiano Fonseca Jr. Eng Bruscky e família -1968... de maquinista! Com muito orgulho. Às vezes, quando por aí escrevo isto, quem não conhece os meus antecedentes familiares, pergunta se houve gralha em bineta: não, não! O avô materno que, infelizmente, nem cheguei a conhecer por ter morrido uma década antes de eu nascer, Manuel Horta Rodrigues, foi subchefe de Depósito, bem com o outro, com quem convivi dez anos, Cristiano da Fonseca, de quem o filho varão mais velho, meu pai, herdou o nome e a profissão e, tendo esperado muito tempo pelo meu nascimento (o casal perdeu vários bebés até eu aparecer, num dia de viagem que o Cristiano número dois já não realizou), comentava habitualmente: "Como é menina, terá que ser professora -acabou-se, com ela, a geração de maquinistas da família." Assim foi mas ficar-me-ão para sempre, na memória e nas saudades, as idas com o Cristiano (Primeiro) a Praias de Sado, de onde, se não estou em erro, trazia água que considerava melhor do que a nossa, aqui na (então) vila e que bebia devagar, a família reunida, silenciosa, sentada à mesa da sala onde ouvia a Rádio Moscovo e a BBC, nas emissões de ambas as estações em Português. Como eu nunca parava, ele dizia: "Sossego, bicho-carpinteiro, quero saber tudo o que se diz contra o Salazar!".

A minha mãe a correr quando, do serviço de reserva, o marido partia para o Alentejo e, ou, o Algarve e ia, num ápice, à praça, voltava a correr, fazia a comida para o querido e levava-lha ou entregava-a aos colegas dele, sempre denominados de camaradas, que lhe faziam chegar as vitualhas. Franzina, cheia de vida, a autora de meus dias, Maria Horta Fonseca (que falta ainda me faz, mãe!), foi considerada, ainda antes de eu existir, "Rabicha 3", locomotiva pequena e despachada como ela... Autor da graça: o compadre Cavalheiro, assim conhecido por todos na Rua António José de Almeida, maquinista competente, cheio de filhos e boa disposição, que foi sogro do Engenheiro Caro Proença, barreirense ilustre e filósofo que, em vários dos seus escritos, tem homenageado a família ferroviária barreirense.

Fico-me hoje neste apeadeiro...

Manuela Fonseca