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“In Memoriam”
O Movimento Barreiro Património Memoria e Futuro, sobretudo
preocupado com as “memórias com futuro”, resolveu na sua reunião
de 12/09/07 pronunciar-se sobre um assunto de “memória passada”
que constitui uma grande preocupação no presente. Uma preocupação
de ordem ambiental, mas também de saúde pública, de ordenamento
da cidade e de reminiscentes recordações cinzentas.
Quando no início
dos anos 70 as fábricas de Ácido Sulfúrico (sobretudo o Contacto
V ) funcionando mal despejavam toneladas de gases sulfurosos
sobre a vila industrial e as outras fábricas, as operárias da
Zona Têxtil organizaram uma marcha de protesto pelas ruas do
Barreiro e uma concentração no Sindicato da rua Miguel Paes,
exigindo melhores condições de trabalho e de vida (na altura eram
frequentes as intoxicações em massa na Têxtil).
Em meados de 1973, no âmbito do Movimento Democrático, foi constituída uma Comissão de Luta Contra a Poluição que elaborou um documento de protesto contra os abusos ambientais (não contra as fábricas e a indústria!) e fez a recolha de centenas de assinaturas.
Mais recentemente houve uma grande movimentação popular na década de 90, contra a instalação de uma ETRI no Barreiro, no âmbito da proposta de incineração de resíduos industriais no Outão (Secil).
Ainda há pouco tempo a população do Lavradio se manifestou contra os valores além do admissível de SO2 na fábrica de Amoníaco (que viu a laboração interrompida pela CCDRLVT ).
Há uma tradição de luta no Barreiro contra os excessos e malfeitorias que, no afã do cumprimento de programas e da obtenção de lucros, se foram cometendo ao longo de anos e anos de impunidade. Na linha desta “boa tradição”, resolvemos dar uma contribuição em relação aos anúncio públicos da CCDRLVT e da Agência Portuguesa do Ambiente, publicados simultaneamente: “Instalação de Tratamento Físico-Químico e Armazenagem de Resíduos Industriais”, e, “Projecto de Instalação de Transferência e Armazenagem de Resíduos Industriais”, respectivamente.
Na realidade a Quimitécnica Ambiente, empresa solicitante, possuí duas instalações em laboração, distantes entre si cerca de 500 metros, facto omisso no resumo Não Técnico consultado via Internet. Há mais omissões. O “circuito interno” pela rua da CUF (que é exterior), e quanto ao destino final dos resíduos líquidos da rede separativa não doméstica. Pode não ter nada a ver, mas ao longo destes últimos anos registou-se o aparecimento de descargas de Solventes orgânicos, com cheiro intensíssimo, característico dos COV’S, e espumas sobrenadantes, normalmente à noite, na saída do esgoto da Quimiparque na muralha poente do porto fluvial no rio Tejo. Como também se tem registado cheiros nauseantes numa pequena chaminé com um simpático chapéu, junto ao Campo D. Manuel de Melo, agora vendido pelo F.C. Barreirense para construção imobiliária.
Mas a questão fundamental que se coloca tem a ver com a localização em pleno coração da cidade de uma ITARI, que trata anualmente 18000 t de resíduos industriais perigosos, mais 12000 t de resíduos não perigosos. Numa altura em que se projecta e discute o futuro da área de afectação da Quimiparque (PEB – Parque Empresarial do Barreiro, no relatório), quando se propugna justamente a abertura dos muros da intangibilidade que separaram durante 100 anos as fábricas da cidade, a manutenção de uma área de armazenamento e tratamento de resíduos industriais perigosos, e pior ainda, a sua solicitada ampliação é um insanável contra-senso. Que se torna paradoxal e inaceitável quando paredes meias (literalmente) se iniciou a construção de um grande centro comercial e de habitação abundante.
Tomamos esta posição dirigida particularmente à atenção do senhor director-geral da Agência Portuguesa do Ambiente, no período legal de consulta pública, no dia em que faleceu um amigo, excelente colega e apoiante deste MBPMF, Engenheiro químico de profissão, trabalhou como quadro técnico muitos anos no “Tratamento de Cinzas de Pirite” na antiga CUF/QUIMIGAL (depois também no “KOWASEIKO”) e nos últimos tempos numa instalação de recuperação de óleos contaminados. Adoeceu gravemente com uma quantidade anormal de Mercúrio e Chumbo no organismo (comprovada) embora tenha sido outra porventura a causa da sua morte.
Conforme o Resumo Não Técnico refere, os solos da Quimiparque, o leito do rio Tejo, as águas subterrâneas, estão fortemente contaminadas de metais pesados: Chumbo, Mercúrio, Bário, Cobre, Níquel, Cádmio, Zinco e também Arsénio.
Chega de sacrificarem o Barreiro e os barreirenses!
Barreiro 12 de Setembro de 2007
O Movimento Barreiro Património Memoria e Futuro
12.03.2008. 00:35
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