![]() |
![]() |
Património Ferroviário

A vida, tão complicada ela está, ainda nos reserva surpresas.
Na mesma semana que a Invesfer (empresa que gere o património da REFER) promove um Seminário Internacional sobre Património Ferroviário, na Universidade de Évora, a empresa-mãe manda destruir as estações do Barreiro-A, de Alhos Vedros e da Moita.
Transcrevemos um parágrafo do programa do referido seminário “Presentemente o Património é percepcionado como um agente de desenvolvimento, e os custos inerentes à sua protecção, recuperação e divulgação, são considerados investimentos de médio/ longo prazo”.
Como é possível a empresa pública REFER, responsável pele rede ferroviária nacional e por todo o património adjacente, dizer (escrever) uma coisa e fazer precisamente o contrário?
O MBPMF, reunido a 28/05/08, denuncia a fúria “modernizadora” que nos coloca perante factos consumados e perante o falso dilema de ter de destruir para melhorar!
A electrificação (tardia) do troço Pinhal Novo/Barreiro, que se deverá traduzir em benefícios para os utentes (melhores comboios e mais rápidos) não tem de significar a destruição dos elementos de arquitectura ferroviária regional, parte do nosso património construído e da memória colectiva.
Que vão fazer do conjunto patrimonial da Estação do Lavradio? E da passagem pedonal do Bairro das Palmeiras (exemplar único em toda a rede ferroviária)?
Que irá acontecer ao restante Património ferroviário do Barreiro?
A 1ª Estação/Oficinas da EMEF, a Estação Ferro-Fluvial do Barreiro-Mar, a Rotunda das Locomotivas e o Bairro Ferroviário do Palácio do Coimbra, também são para arrasar?
Saudamos a população de Alhos Vedros que se levantou em defesa da sua estação, impedindo o seu derrube pela calada da noite.
As estações podem ser recuperadas e tornadas mais funcionais, como a mesma REFER fez em Pinhal Novo, Grândola, Tunes, Albufeira, Loulé/Quarteira, entre outras.
Contra a insensibilidade tecnocrática e o imediatismo interesseiro, apelamos à defesa do Património numa perspectiva integrada que valorize os sítios, respeite a memória e dignifique o Homem.
Barreiro, 29 de Maio de 2008
Movimento Barreiro Património, Memória e Futuro
02.06.2008. 01:00
Escreve e comente
* = Requere preenchimento